30/04/2017

The Witcher 3

The Witcher 3: Wild Hunt mistura sexo e feitiçaria

RPG, Xbox One, PS4, PC 

Está aqui o “Skyrim killer”, o maior RPG de mundo aberto da história, o mais longo game já feito… Tudo isso já foi dito nos últimos meses, pois o hype é enorme. Mas vamos começar com os pés no chão, ignorando tudo isso aí que foi falado assim que o jogo saiu, pois The Witcher 3: Wild Hunt é sim absolutamente excepcional, viciante, com uma história cativante, mas o hype outra vez foi bem exagerado.

O fato é que temos aqui um dos games mais bonitos e bem cuidados da história, com uma ambientação vasta e belíssima que rivaliza com cenários de mundos abertos que são verdadeiras obras-primas, como os de GTA V, Red Dead Redemption e Assassin’s Creed: Black Flag, por exemplo. As viagens a cavalo pelas florestas, planíceis, praias e lagos de Wild Hunt têm um fator imersivo único, viciante. Mas não dá para dizer que temos aqui um open world no sentido literal da expressão.

O conceito de mundo aberto parte do princípio de que você pode viajar para qualquer ponto de um mapa usando os meios de transporte do jogo - aqui neste caso, cavalos. Algumas regiões do mapa, como White Orchard (que ambienta a primeira hora do game), o arquipélago Skellige, Kaer Morhen e o Palácio Real de Vizima não são acessíveis em tempo real, viajando a pé ou a cavalo. Então, tecnicamente falando, não se trata de um jogo de mundo aberto.

Alguns outros lugares do mapa você pode até dar uma fuçada, mas não vai conseguir derrotar os inimigos se não tiver avançado o suficiente. Digamos, por exemplo, que suas habilidades estão no nível 4, mas você resolve fuçar numa parte longínqua do mapa na qual você só deveria chegar quando estivesse lá pelo nível 20. Resultado: vai encontrar inimigos nível 20 e não importa o quanto tente, você não vai vencê-los. Então, é preciso controlar seu ímpeto explorador de mundos abertos, pois isso pode matar parte da diversão.

Outra característica essencial dos open worlds é que ao explorar os cenários abertos você sempre encontrará muitos elementos para interagir. Mas não espere encontrar muito disso em Wild Hunt. Alguns lobos aqui, uns monstrinhos acolá, mas não espere encontrar tesouros maravilhosos (como em Assassin’s Creed: Black Flag) ou animais mitológicos (como em Red Dead Redemption), pois não há muita distração para tirá-lo de suas missões, sejam as principais, sejam as side-quests.

Diante desse contexto, a diversão aqui é entrar de cabeça no enredo e não ficar explorando os cenários aleatoriamente, pois só assim você vai poder curtir uma narrativa espetacular como só um RPG de ação de altíssima qualidade consegue oferecer. Não tente jogar Wild Hunt como você joga Skyrim ou GTA.

Os combates também refletem essa espécie de política da CD Projekt Red. A maioria das lutas você pode se virar muito bem com uma espada mais leve e uma mais pesada, mas o jogo tenta a todo custo incentivar você a usar ferramentas como o Sinal Axii, a luz Igni, o óleo para espada ou as poções mágicas. OK, faz parte da história, mas muitas vezes a gente só quer cortar algumas cabeças e seguir em frente, sem ficar revirando páginas e páginas de um inventário para descobrir qual item está faltando para fazer determinada poção.

Essa história de que “o menos é mais” poderia muito bem ser aplicada mesmo em RPGs de fantasia medieval, afinal, com tantos elementos para administrar, não é nenhuma surpresa que os “loadings” durem uma eternidade, assim como alguns diálogos - e ambos poderiam ser diminuídos para a metade do tempo. Curiosamente, quando jogamos com a belíssima Ciri, a coisa fica mais simples e direta, ainda que as cenas de sangue pareçam ficar ainda mais gores.

O fato é que poucos jogos conseguem envolver a gente com tanta intensidade hoje em dia. Tornou-se comum ver nas redes sociais amigos discutindo decisões tomadas durante a ação, soluções para os problemas mais triviais (levei uma eternidade para achar a cabra de um bruxo numa floresta: e era uma das coisas mais simples a se fazer!) e dicas para as missões paralelas. Aliás, a quantidade de side-quests é enorme e extremamente variada, passando de aventuras empolgantes para bobagens irritantes que nem deveriam ser chamadas de “missões”. Ainda assim, todas se exceção são muito executadas, com mecânicas de ação impecáveis.

O fato é que longos diálogos e escolhas que você faz ao longo do jogo trazem consequências na história que se desenrola. Decisões tomadas em relação a uma aldeia, por exemplo, fizeram com que eu voltasse lá depois de muitas horas de jogo. Eu a encontrei destruída, como consequência de decisões que tomei. Isso cria um senso de responsabilidade enorme com o enredo. É fantástico.

The Witcher 3: Wild Hunt é um jogo profundo, com uma história interessante, personagens fantásticos e ambientação viciantemente imersiva. Não é para brincar com amigos numa festa ou pra se divertir nas horas vagas: ele é como um livro, precisa ser degustado em horas e horas de jogatina, durante dias seguidos. Para fazer esse review, por exemplo, completei 100 horas de jogo e não consegui chegar nem à metade dele. E isso é sintomático para mostrar a qualidade do que vimos.

(Fernando Souza Filho)

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