GAMES 4U
 
22/05/2020

Redação Games4U

Streets of Rage 4 aposta na nostalgia e consegue cativar o fã

Luta, E-Sports, Esportes, Arcade, Multiplayer, Xbox One, PS4, PC, Nintendo Switch 

Algumas das minhas memórias mais antigas e saudosas sobre game dizem respeito a Streets of Rage. Ainda lembro das férias que passava na casa dos meus primos e como ficávamos a noite toda jogado o primeiro título da franquia, tentando aproveitar ao máximo o game antes de termos que devolvê-lo a locadora.

Mas o tempo passou e, com ele, achava que também tinha desaparecido o meu apreço pelo gênero beat’em up. Isto é, até descobrir que um quarto jogo da série estava chegando.

Jogar Streets of Rage 4 foi como voltar um pouco no tempo, para a época em que eu e meus primos ajudávamos Axel e seus amigos a acabar com os planos de Mister X. Isso porque o novo game da franquia consegue se manter fiel às raízes, apesar dos gráficos em HD e de algumas atualizações (muito bem-vindas) em sua jogabilidade.

Quando olhamos para além da sua aura moderna, notamos que ele não tem grandes pretensões, como reviver um gênero ou mesmo atualizá-lo. Tudo que ele quer é divertir gamers velhos como eu e nos fazer reviver os bons tempos. Essa é uma tarefa que ele faz sem carregar muita pressão sobre os próprios ombros, apostando no “seguro” na maioria do tempo enquanto encontra, aqui e ali, momentos para mostrar que também sabe fazer coisas novas. 

O game segue a história estabelecida nos jogos anteriores. Com Mister X derrotado, a cidade finalmente parece estar a salvo - pelos menos até que os filhos do vilão (os gêmeos Y) surgem com um plano que pode realizar o sonho de seu falecido pai, colocando a cidade finalmente aos pés do crime organizado. Diante desta nova ameaça, cabe aos heróis saírem novamente as ruas para lutar pela justiça da única forma possível nos games: descendo o braço em todo bandido que aparecer.

Após esta pequena introdução digna de um ótimo filme B, começa a jogatina e rapidamente notamos que o jogo segue à risca as convenções já estabelecidas no gênero beat’em up: coloque o jogador para seguir pelo cenário batendo em tudo que ousar se mover, só parando de vez em quando para apanhar uma maleta de dinheiro (quem iria recusar?) e algumas maçãs ou frangos assados para recobrar a “vida”.

Tudo isso, obviamente, regado a muito nostalgia, pois a primeira fase do título brinca não só com a trilha sonora, mas com a própria estrutura que vemos no primeiro estágio de Streets of Rage 2. Essa é uma escolha que dá um ar todo especial ao game, que soa como os títulos clássicos, mas traz um visual caprichado e cheio de detalhes - ainda que “soe” um pouco pobre em termos de animações. Infelizmente, os elementos que compõem cada fase não contam com muitos itens dinâmicos, com um excesso de imagens estáticas, o que dá a impressão em alguns momentos de estarmos andando por um simples desenho e não por um cenário “palpável”.

Mas o game disfarça essa escorregadela técnica ao sempre colocar o jogador em ambientes variados e, além de ter diversos objetos quebráveis e com itens a serem coletados (outro elemento clássico dos beat’em ups), também conta com pequenos elementos que somam ao gameplay. Seja através das placas de sinalização em um trem em movimento ou de uma bola de ferro presa ao teto, o jogo está sempre inserindo pequenos elementos de perigo aos cenários, que trazem um novo nível de complexidade e dificuldade ao título, obrigando o jogador a dividir sua atenção ente os adversários e algum novo elemento que surge em tela como um perigo em potencial.

Fases que também acertam ao se apresentarem em tamanhos diferentes são de grande ajuda para que cada uma delas tenha uma identidade própria. Embora seja muito divertido olhar para os cenários em busca de referências ao jogo original (e são vários), você terá que fazer isso entre socos e chutes pois o game consegue trazer uma ação frenética e muito divertida.

Streets of Rage sempre teve um diferencial em relação a muitos dos outros grandes clássicos do gênero: ele sempre foi pensado para consoles. Ao contrário de outros títulos como Final Fight ou Cadillacs and Dinosaurs, a aventura de Axel e sua trupe não começou nos arcades, assim, não trazia os vícios que muitos jogos tinham quando migravam dos fliperamas para as casas dos gamers, como níveis de dificuldades mal balanceadas e feitos apenas para consumir suas fichas. 

Esse tipo de elemento que o novo game consegue replicar dos títulos passados da série traz um ritmo muito gostoso de ser jogado e, apesar das hordas incessantes de adversários, é generoso com itens de cura, além de investir num nível de dificuldade que apesar de desafiador, não é punitivo. Mas o quarto episódio da saga vai além, pois também atualiza elementos do seu gameplay para incentivar o jogador a utilizar a capacidade dos personagens ao máximo, como o fato de que agora os ataques especiais consomem uma quantidade de energia que pode ser recuperada ao atingirmos os inimigos.

É um detalhe que faz toda a diferença, pois transforma a habilidade num recurso estratégico, para ser usado quando acharmos necessário, em vez de um elemento dubio que ajuda enquanto também pune o jogador de alguma forma.

A franquia, assim como diversos outros jogos do gênero, também sempre contou com personagens que tinham características diferentes, hora mais rápidos e fracos, hora mais lentos e fortes, um elementos que continua aqui, mas que agora é expandida através de diversos tipos de ataques.

A gama de comandos é limitada como nos títulos da década de 1990: temos apenas um botão para soco, especial e pulo - porém, o game expande estes comandos para uma série de novas ações. Mantenha pressionado o botão de soco e dará um golpe mais forte, agarre o inimigo e poderá realizar movimentos diferentes, e até os botões especiais trazem algumas variações dependendo da sua combinação.

Desse modo, quando a pancadaria está rolando solta, nunca sentimos que estamos realizando ataques repetitivos, mas sim limpando o chão com nossos adversários ao utilizarmos uma série golpes variados e muito bem animados. Um sistema dinâmico e que acaba fazendo com que nem notemos a falta de comandos que hoje são comuns nos beat’em ups, como um botão para bloqueio. Esse é um elemento que não faz muita falta, já que o simples deslocamento pelo cenário já supre esta medida, de forma que muitas vezes basta um toque para cima ou para baixo para escapar dos ataques de oponentes.

Os inimigos também merecem destaque no game, pois apesar de manterem o design de muitos dos adversários clássicos, adicionando pequenas atualizações pontuais, também temos oponentes novos e com estilos de ataques que combinam com seu visual - como os Dylan, sempre com suas mãos no bolso e chutes potentes.

Inimigos também trazem golpes específicos e maiores interações com as armas espalhadas pelos cenários, sendo que alguns possuem itens exclusivos e que também podem ser usados pelos jogadores.

Com animações muito bem resolvidas, o design dos protagonistas é um elementos que também é positivo, trazendo um visual moderno e que traz um estilo único para a maioria dos lutadores. Minha única decepção neste sentido é o visual de Blaze. A escolha em adotar um estilo visual mais clássico para a moça parece uma decisão mais baseada nos atributos físicos da gata, do que realmente em buscar uma estética mais interessante e moderna.

Axel e Tony, por exemplo, receberam ótimas atualizações e que apesar de modernas, ainda conversam com seu design clássico, enquanto a garota ainda é obrigada a enfrentar uma gangue de bandidos sanguinários e top e minissaia, algo que não combina muito bem com o estilo de luta da garota (quando jogar vai entender o que quero dizer).

Apesar de alguns problemas, Streets of Rage 4 é um jogo muito bom. Ele não busca inovar o gênero beat’em up, indo justamente no caminho contrário, apostando no seguro em termos de jogabilidade, embora isto não queria dizer que não busque uma experiência completa a seu modo, buscando aperfeiçoar o que a série já tinha feito em vez de acrescentar algo novo.

Um título apegado a nostalgia, mas que consegue trazer novidades e deixa um gostinho de quero mais e muito potencial pra futuros jogos.

Streets of Rage 4 foi lançado em 30 de abril para PC, PlayStation 4, Nintendo Switch e Xbox One.

(Rafael Barbosa)

   

 

 

 

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